O Texto Teatral

Um texto teatral é uma obra literária específica para o teatro, contém os diálogos e as indicações de cena. Sozinho, o texto é apenas literário, transformando-se em teatro quando encenado.

O texto é composto de vários elementos diferentes. Normalmente, em maiúsculas encontramos os nomes das personagens e em itálico estão as rubricas ou didascálias (anotações feitas pelo autor do texto que determinam ações, intenções, a movimentação em cena, às vezes detalhes do cenário, iluminação, sonoplastia etc.).

A base essencial do Teatro é o drama; sem drama não há Teatro. Drama significa ação, e se refere às ações causadas pelo choque de duas forças opostas. Tanto tragédias quanto comédias são dramas, pois possuem os mesmos elementos estruturais.

Quando duas forças opostas se encontram dizemos que há um conflito, e ele é, por sua vez, a base essencial do drama. Este conflito gera um problema, e este problema exige uma solução. Toda ação gerada a partir deste conflito nós chamamos de ação dramática, e as ações dramáticas podem ser em função de resolver ou piorar o problema causado pelo conflito – tudo depende de que lado está o personagem que as toma.

Personagens são agentes dramáticos, isto é, por meio deles que as ações dramáticas vão acontecer. Coisas não exercem ação dramática. Idéias, luzes, sons, nada disso desenvolve o drama. São as atitudes dos personagens diante das situações que contribuem para o progresso da história, são suas decisões que desenvolve o atrito entre as forças que se opõem.

Todo texto tem um personagem central, a quem chamamos protagonista. Ele é o agente mais importante da trama, em torno do qual os principais acontecimentos vão girar e geralmente a quem cabe a resolução do grande problema que é proposto. Quase sempre há também um antagonista, agente principal do conflito, causador ou revelador do problema que vai afetar o protagonista. É o embate das forças que cada um representa, que a trama vai se desenrolar e a ação dramática se fará possível.

Os demais personagens da peça são chamados coadjuvantes ou personagens de apoio, e também são agentes dramáticos. Todo personagem tem que contribuir para uma das duas forças que se opõem, mesmo que mude de lado no decorrer da história.

A forma mais comum de conflito é entre o Bem conta o Mal. Entretanto há muitas outras formas de se instaurar um conflito, sem necessariamente envolver valores absolutos de certo e errado: Criacionismo X Darwinismo, Capitalismo X Socialismo, Homem X Mulher, Corinthians X Palmeiras, Rico X Pobre, Força X Inteligência, etc.

Um texto sem drama tende a ser um discurso, isto é, uma preleção não-teatral. Mesmo um monólogo deve propor um conflito, seja interno, seja contra fatores externos à cena em que se ambienta ou contra um outro personagem, interpretado pelo mesmo ator ou até mesmo invisível.

O diálogo é a parte reveladora das personagens. Um personagem pode falar com outro personagem em cena, diretamente ao espectador e até consigo mesmo. As possibilidades de diálogo são:

- Réplicas - discurso puro do personagem que se exprime;
- Quiproquó: diálogo confuso resultante de um engano ou mal-entendido entre os personagens;
- Aparte ou Solilóquio: réplica em que um personagem fala para si mesmo, simulando não ser ouvida pelos outros personagens. É como um pensamento em voz alta que é ouvido apenas pelo público;
- Monólogo: encadeamento de réplicas partilhando pensamentos e sentimentos de um personagem sozinho diante do público.

A narração não faz parte do diálogo, é um instrumento externo que serve para adereçar ao público informações vitais para a compreensão da cena, dos fatos ou personagens. O narrador pode ser:

- Onisciente: Sabe de todas as coisas, relata detalhes não revelados pelo diálogo ou pela imagem, desde fatos até mesmo pensamentos e sentimentos das personagens. Normalmente não faz parte da história;

- Interno (ou Narrador-Personagem): Faz parte da história que é contada, usa sua própria experiência e lembranças para descrever os fatos, conta tudo do ponto de vista de quem está ou estava dentro da situação;

- Externo (ou Narrador-Observador): Não faz parte da história e narra o ponto de vista de quem observa os acontecimentos sem se envolver.

A trama é a costura de fatos e idéias que se sucedem desde a introdução dos personagens até a cena final. Basicamente, uma trama bem costurada apresenta as seguintes etapas:

- Apresentação (ou exposição): É normalmente a cena inicial que fornece indicações sobre o lugar, o tempo, introduz os personagens e dá informações importantes da situação em que se encontram. Isso é necessário para que o espectador entenda o Universo em que a trama vai se desenvolver;

- Intriga (ou conflito): É o choque entre as forças opostas, o momento em que o problema surge e uma necessidade é gerada, obrigando os personagens a tomarem atitudes a favor ou contra determinada resolução;

- Golpe teatral: É o conceito de “dobradiça”, um evento que muda tudo (para pior). É o momento em que o protagonista tem que fazer um sacrifício derradeiro já que tudo que tentou antes não adiantou.

- Clímax (ou nó da ação): Ponto de maior tensão da narrativa. Deixa claras a natureza do conflito e a urgência da situação;

- Desenlace: conclusão do texto. Cena final, solução inesperada do conflito, que pode ser feliz, ou infeliz.

Num texto teatral ainda pode haver prólogo e epílogo:

O prólogo é um termo originalmente usado nas tragédias gregas para a parte anterior à entrada do coro e da orquestra, na qual se enuncia o tema da peça. Tornou-se sinônimo de prefácio, preâmbulo, proêmio, prelúdio e prormônio. Atualmente, o prólogo serve de prenúncio aos acontecimentos principais, oferece preparação para o que se segue e às vezes dá informações essenciais ao entendimento do restante da peça.

O epílogo é a fala final e frequentemente destinada a explanar as intenções do autor e/ ou o resultado final da ação dramática. O último ato ou cena de uma peça. Atualmente pode ser usado de ponte para uma possível continuação da história, ou apenas para encerrar um assunto que ficou incompleto ao longo da trama.