Termos Técnicos e Gírias

ANTITEATRO: Termo geral que designa uma dramaturgia e um estilo de jogo dramático que nega todos os princípios da ilusão teatral. O termo aparece nos anos cinquenta , nos começos do teatro do absurdo.  

APARTE: Falas destinadas apenas ao público e não são ouvidas pelas outras personagens. 

APOIO CULTURAL: É uma ajuda de custo, como cessão de automóvel para transporte de cenário ou equipe técnica, lanche, hospedagem, etc.

ARQUÉTIPO: Personagem que se assume como modelo mítico do imaginário de um povo Que está acima de um modelo real.

ATO: Divisão externa da peça teatral. Subdivisão de uma peça. Da mesma maneira que um livro pode ser dividido em capítulos, uma peça pode ser dividida em atos. Trata-se de uma convenção cuja principal característica é a interrupção do espetáculo.

BURACO: O termo mais comum para definir o espaço vazio que se forma na cena quando o(s) ator(es) esquecem ou erram o texto e nada improvisam para preencher. Também forma-se um buraco (ou lacuna) na cena que tem ritmo muito mais lento do que o necessário, como por exemplo nos diálogos em que os atores esperam muito tempo para dizer suas falas.

BURLESCO: Forma exagerada de comédia. Paródia que utiliza expressões triviais para travestir personagens e situações.

CACO: Fala improvisada para consertar algum erro ou substituir algum elemento ausente, seja no texto ou na cena. Caco também é a fala inexistente no texto da peça mas que o ator introduz no desenrolar cena. O excesso de cacos é um dos causadores da poluição cênica e pode ser sinal de falta de domínio do texto por parte do ator. Um caco que passa a repetir-se em cada apresentação não mais como improviso deixa de ser um caco para ser uma alteração planejada, configurando assim uma adaptação do texto ou licença poética.

CAIXA MÁGICA: Termo usado principalmente ao palco italiano. Imaginando que o quadrado formado pelo fundo da cena, as laterais, o piso, o teto e a quarta parede formem uma caixa, diz-se que esta caixa é mágica, pois nela pode-se trazer à existência qualquer coisa que se imagine pela força da arte.

CENA SUJA OU POLUÍDA: É a cena com elementos desnecessários em demasia. Cenários que são mais elaborados do que a trama e a interpretação dos atores ou a idumentária que nem se utiliza e nem tem significância necessária na cena. Cacos, improvisos e licenças poéticas excedentes também causam a poluição da cena atrapalhando o desenvolver do texto e assim prejudicando a compreensão da trama.

COLAGEM CÊNICA: Agrupamento contínuo de cenas de espetáculos diferentes que se correlacionam por algum motivo. O mais comum é a colagem de textos do mesmo autor, sem necessariamente tratarem do mesmo assunto, mas há colagens de cenas que se ligam pelo assunto, pelo gênero etc. Uma colagem não é um agrupamento de performances ou esquetes, pois sua maior característica são os pedaços de espetáculos, ou seja, cenas isoladas.

CONFLITO DRAMÁTICO: É a marca da ação e das forças opostas do drama: amor/ódio, opressor/oprimido, etc.

CORIFEU: Chefe do coro, no teatro grego.

CORO: Grupo encarregados de intervir por meio do canto, da dança e o recitativo, dentro do "quadro" de um ritual ou de um espectáculo.

DAR BRANCO: Quando alguém esquece suas falas.

DEIXA: A fala (ou outra marca) depois da qual um ator entra ou tem de proferir a sua fala.

DESEJAR "MERDA": Expressão de origem francesa (Mérde) considerada como um mantra ou espécie de ritual usado pelos atores antes de suas apresentações, tem o mesmo significado de boa sorte. Advertindo que, nunca se deve agradecer quando alguém lhe desejar “merda”, deve-se responder apenas “merda” ou ficar calado.

DIDASCÁLIA (ou RUBRICAS): Anotações feitas pelo autor do texto que determinam ações e intenções (choramingando, sonolento, com raiva etc), a movimentação em cena, até mesmo detalhes do cenário (como localização de uma porta ou posição de uma cadeira), iluminação, sonoplastia e tudo mais. O excesso de rubricas num texto prejudica a liberdade criativa do diretor e muitas vezes torna um texto hermético, sem possibilidade de ser encenado sob diferentes ângulos a menos que seja adaptado.

DRT (Delegacia Regional do Trabalho): É um Atestado de Capacitação Profissional, um registro profissional. (SAIBA MAIS!)

ENTREATO: O intervalo entre um ato e outro.

ENGOLIR UM ATOR EM CENA: Diz-se que um ator engoliu o outro em cena quando se destaca mais ao ponto de tornar-se mais marcante. Um ator mais experiente que interpreta um papel secundário tende a engolir os outros sem querer, mesmo que estejam em papéis principais, simplesmente por sua presença de palco mais firme e forte. Há quem use o termo "engolir" para um cenário exageradamente elaborado que diminui a presença do ator.

ÉPICO: Fábula tirada da vida dos homens engrandecida e tratada forma impossível para o espectador se identificar com o herói ou com a situação.

EPÍLOGO: Discurso recitativo no fim de uma peça.

EVOÉ: Grito de evocação em honra ao deus Dionisio (Baco).

IDUMENTÁRIA: Refere-se ao figurino e aos objetos de cena como um todo. Falar apenas de figurino é referir-se às roupas dos personagens e seus complementos como leques, bengalas, asas etc. Falar de objetos, como uma bola, uma travessa com copos ou uma bicicleta já é algo mais amplo que diz respeito aos fatos do espetáculo. Então, para referir-se ao conjunto de roupas e coisas a serem usadas em cena nós usamos a palavra idumentária.

LEITURA DE MESA: Reunião com o elenco para a primeira leitura do texto, cada ator com a sua fala lida com entonação normal, para o conhecimento do seu papel e de toda a peça.

MARCAÇÃO: Movimentação dos atores em cena, em função do texto da peça teatral: entradas, saídas, posturas, etc.

MULETA DE ATOR: Quando se usa um objeto de cena para se obter confiança ou “entrar no personagem”.

PANFLETAGEM: Termo julgado pejorativo por muitos, fala do teatro que prega um ideal, como posições políticas, filosóficas e religiosas. Uma peça autenticamente panfletária carece do ideal artístico e mais se assemelha a uma peça publicitária que intenta vender um produto.

PASSADÃO: Tipo de ensaio que normalmente se dá quando uma produção está pronta. Consiste em que os atores passem rapidamente pelo espaço cênico na ordem de acontecimentos do espetáculo sem necessidade de texto, mas apenas para recaptular todo o desenvolvimento físico da peça.

PATROCÍNIO: É quando uma empresa ou pessoa paga toda ou parte das despesas de produção, como o cachê dos atores, conjunto plástico (figurino, maquiagem, iluminação, sonoplastia e cenografia), etc. 

PONTO: Uma pessoa escondida que sussurra o texto ao ator no evento de tê-lo esquecido.

PONTO CEGO: Lugar desprivilegiado na platéia em que não se vê parte do placo ou espaço cênico.

PRESENÇA DE PALCO (ou PRESENÇA CÊNICA): Termo também usado para a performance de um músico ou cantor. Presença de palco é a força com que um ator marca os espectadores ao desenvolver seu trabalho em cena. A presença de palco de um ator é medida somando sua potência de voz, entonação, expressão facial e física e até mesmo a força com que pisa e com que encara o público. Não existe uma fórmula para ser aumentar a presença de palco pois, embora possa ser reforçada com a especialização e a prática, às vezes constitui um dom natural.

QUADRO: Divisão de um texto dramático ou cênico, fundado sobre uma mudança do espaço ou do espaço-tempo. O mesmo que cena ou ao ato.

QUARTA PAREDE: Parede imaginária que separa a cena da sala. Um palco italiano possui três "paredes": O fundo (rotunda), e as laterais (que podem ser coxias, pernas ou apenas uma parede mesmo). O termo "quarta parede" é utilizado para definir a parede não existente nesse tipo de palco. Ou seja, a frente dele. Não tem parede entre a frente do palco e a platéia, portanto é uma parede imaginária, um limite. Esse termo é usado em espetáculos teatrais em que não há interação do elenco com o público. Como se tivesse uma quarta parede que os separasse.

RITMO DO JOGO CÊNICO: É o ritmo que se desenvolve todo o espetáculo segundo um tempo fixado por sua encenação. Esse tempo determina a velocidade da dicção, a relação entre texto e gesto, a rapidez das mudanças, das transições entre os jogos cênicos, do espaço entre as cenas ou quadros. O ritmo da ação, sua progressão contínua ou em partes fornecem o quadro rítmico geral do espetáculo.

TEXTO TEATRAL: É um texto comum, com personagens e conflitos, escrito de forma a ser representado num palco.

Baixe o dicionário completo!