Origem e História do Teatro

Etimologicamente TEO significa Deus e ATRO significa terreno ou área. Sendo assim: TEATRO é "Terreno de Deus". Porém, na atualidade, o termo ganhou um novo significado: "lugar de onde se vê".

Teatro é a arte de compor obras dramáticas ou de representá-las. É a expressão da realidade, um instrumento de divergência, advertência, ensinamento, documentação e instrução.

Ator, personagem e espectador são os elementos indispensáveis ao teatro. Se um deles não estiver presente, não há teatro. Todos os outros componentes são opcionais, de acordo com a concepção do espetáculo.

As informações sobre o nascimento do teatro são mais especulações antropológicas do final do século XIX e no início do XX.

Embora não haja registros concretos, diz-se que a origem do teatro ocidental é Grega e teve seu início nas festas em honra a Dionísio ou Baco (Deus dos ciclos vitais, da alegria e do vinho) na qual eram comemorados o retorno da primavera e a nova fertilidade dos campos. Nessas festas, Dionísio era personificado na forma um bode, os gregos se fantasiavam com roupas de pele de cabra e folhas de parreira na cabeça, e andavam pelos campos em procissões e cânticos em honra de Dionísio (Ditirambos).

Uma segunda hipótese diz que culturas mais primitivas se reuniam em torno de fogueiras e representavam acontecimentos de caçadas, guerras e ações de trabalho ou ainda rituais mágicos sagrados para agradar os deuses e imitação de ancestrais e deuses.

Sabe-se ainda que, paralelamente ao surgimento do teatro na Grécia, na Grécia, os Egípcios, os Cretenses, os Chineses, os Indianos e outros povos já celebravam rituais similares.

Linha do tempo da história do teatro

- Século VIII a.C. até VI a.C. na Grécia realizavam-se rituais a Dionísio com procissões, cantos e danças;

- Século VI a.C. na Grécia haviam festas religiosas no campo (procissões populares que originaram a comédia) e nas cidades (rituais da elite que originaram a tragédia);

- Século V a. C. a partir de 535 a.C festivais dionisíacos na Grécia;

- Século II a.C. o teatro chega à Roma;

- Do século XII até século XV o Teatro Medieval apresentava o Teatro Sacro (milagres, autos, moralidades e mistérios) e o Teatro Profano (farsas);

- A partir do século XV nasce o Teatro Renascentista;

- Século XVI (a partir da metade) surge a Comédia dell’Arte. Comédia de improvisação Italiana;

- Século XVII é o Século de Ouro Espanhol (Barroco);

- Século XVII - Classicismo Francês e Alemão;

- Século XVIII nasce o Melodrama;

- Século XIX - Teatro Romântico;

- Século XIX (meados) - Teatro Realista;

- Século XIX (final) Teatro Poético;

- Século XIX (final) - Teatro Naturalista;

- Século XX (começo) – Vaudeville;

- Século XX (começo) - Expressionismo;

- Século XX - Teatro Moderno Reações Anti-realistas. Pirandello, Surrealismo, Pós Surrealismo e Absurdo;

- Século XX - Teatro Épico.

Teatro Medieval

O teatro medieval está intimamente ligado à Igreja Católica. Depois que o cristianismo dominou Roma e toda Europa, o teatro foi vítima de preconceito, sendo perseguido e combatido durante séculos, acusado de obsceno e violento.

Com exceção do trabalho anônimo dos mimos, o teatro só começou a ressurgir no século XII d.C., em representações com enredos tirados de histórias bíblicas e apresentados dentro de Igrejas e mais tarde na porta das Igrejas, para que toda a multidão pudesse assistir.

Teatro Barroco Espanhol: O Século de Ouro

Chamado de a arte da contra-reforma era simultaneamente uma reação ao materialismo renascentista e às idéias reformistas de Lutero e Calvino e um retorno à tradição cristã.

Os dramaturgos espanhóis do século XVII tinham profundas raízes na tradição popular, falando mais ao povo, e desprezando as imposições eruditas de muitos dramaturgos da renascença.

Em 1609, Lope de Vega (dramaturgo e poeta) publicou a obra 'Arte Nuevo de Hacer Comedias" apontando os elementos básicos da produção teatral da época:

- Divisão da obra em três atos;
- Ruptura da unidade de ação;
- Mistura do trágico com o cômico;
- Ruptura das unidades clássicas de tempo e lugar;
- Composição em verso.

Teatro Romântico

O romantismo foi um movimento de reação contra as fórmulas clássicas. Os autores românticos cultuavam uma arte subjetiva, que valorizava a emoção acima da razão.

Muitos românticos tiveram suas peças transformadas em Óperas, como foi o caso de Vítor Hugo através dos libretos de Verdi, e de Richard Wagner o maior dramaturgo romântico da Alemanha.

Schiller uniu o clássico alemão com os elementos Shakespearianos.  Foi considerado por muitos como o maior dramaturgo alemão. É historicamente importante, como dramaturgo, porque em sua obra já existem os elementos que compuseram o romantismo, o teatro de idéias e o drama de crítica social.

Teatro Realista

O realismo começou na França, na primeira metade do século XIX e opõe-se ao Romantismo, considerando que o mundo era independente da representação mental que o artista fizesse dela.

Pregava a atenção e fidelidade máxima ao real trazendo a reflexão sobre temas sociais. Real era considerado apenas aquilo que era percebido pelos sentidos, com observação e comprovação e sem abstrações.

A arte realista coincidiu com a predominância da mentalidade científica e a influência positivista, sendo que muitas peças mais pareciam teses.

As características do Realismo são: os ambiente localizado precisamente; a descrição de costumes e fatos contemporâneos; o gosto pelo detalhe mínimo, a linguagem coloquial, familiar e regional e a excessiva objetividade na descrição e na análise dos personagens.

Destaque para Henrik Ibsen (Noruega - 1828- 1906), o maior nome do realismo no teatro começou com um romantismo nacional até adquirir as características realistas.

O Teatro Realista teve dificuldades para se impor na Inglaterra por causa da tradição poética de Shakespeare e do teatro Elizabetano, além da ação da censura. Seus principais autores foram: Oscar Wilde (1854-1900) Escreveu espirituosas comédias da sociedade e Bernard Shaw (1856-1950) Um Ibsen sem poesia, com muita perspicácia social, dentro da tradição inglesa da comédia de crítica social.

O Teatro Realista evoluiu na Rússia com Constantin Stanislavski, o grande ator, diretor e mestre de teatro, criador do famoso “Método”. Entre os principais autores, destacam-se: Nicolai Gogol (1809-1852) foi uma transição do romantismo fantástico para um realismo crítico, sendo a primeira expressão da escola realista na Rússia e Leon Tolstoi (1828-1910) que se aproxima do estilo de Ibsen, porém com grande religiosidade eslava.

Na França tudo começou com Eugene Scribe, na metade do século XIX, com suas peças de boa qualidade tratando de temas fúteis; Émile Augier (1820-1889) satírico dos preconceitos da sociedade burguesa e Alexandre Dumas Filho (1824-1895) com tendências românticas e melodramáticas, teve também características realistas em suas peças de críticas às convenções morais.

Teatro Poético

Em países onde o Teatro Expressionista levou mais tempo para surgir, a primeira reação ao realismo foi o chamado teatro poético, inspiração simbolista, que tinha como características: o uso de símbolos; fundo fantástico e lendário; raízes folclóricas e sugestões sutis.

Anton Tchekhov (Russia – 1860 - 1904) tinha um estilo intensamente pessoal e diferente de todos os seus contemporâneos. Seu realismo era poético, com um teatro de estilo coloquial, mas embebido em poesia, com atmosfera, sugestões, climas sutis, em surdina e sem ação espetacular. Sua obra causou grande impressão, sendo das mais representadas no mundo inteiro.

Garcia Lorca (Espanha -1899 - 1936) com sua tragicidade sombria e forte raiz folclórica, foi o mais autêntico representante do teatro poético do século.

Teatro Naturalista

O Naturalismo teve seu início na literatura, com Émile Zola (1840-1902) na França, com sua peça Teresa Raquin e seu manifesto "Naturalismo no Teatro", influenciando a muitos artistas da época, alguns vindos do romantismo e outros já com tendências claras para a arte realista.

Muitos autores realistas chegaram a um extremo de objetividade, a um exagero tal de descrições científicas que foram chamados de Naturalistas.  Foram citados pela crítica como pessoas muito dotadas para a ciência que se dedicaram à arte.

As características do Naturalismo são: exagero do Realismo; descrição minuciosa da natureza; descrição minuciosa de aspectos crus e desagradáveis da vida; tendência determinista; representação objetiva da natureza (sem interpretação subjetiva) e o artista como um investigador num laboratório.

A "quarta parede" é uma criação teórica do realismo teatral, devida a André Antoine (criador e diretor do "Teatro Livre" em Paris). Os atores deveriam mentalizar uma parede imaginária que se estenderia no mesmo plano vertical da boca de cena, vedando ao público a visão do que ocorre no palco, entre as quatro paredes de um cenário em gabinete ou de interior. Essa parede seria removida pela convenção teatral, dando ao espectador ocasião de testemunhar detalhes da ação dramática.

Dos autores do Teatro Naturalista, merecem destaque Henry Becque (França - 1837-1899) que começou com tendências realistas, mas chegou até o teatro naturalista em suas peças e Máximo Gorki (Rússia - 1868-1936) sua primeira peça "Asilo Noturno" possuia grande tendência naturalista.

Vaudeville

Espetáculo de canções, acrobacias e monólogos datado do século XVIII.

Georges Feydeau (França 1862-1921) foi o mestre do gênero de comédia de situação, leve e maneirista, que fez sucesso no começo do século, na Europa. Com um humor cheio de correrias e peripécias, influenciou muitos comediógrafos modernos. Seu assunto era geralmente a crítica de costumes.

Teatro Expressionista

Começou na Alemanha no período de 1914 a 1924 e influenciou o movimento modernista em todo o mundo.

Suas principais características são: o que se representa não é o que o artista vê, mas as associações e reações que surgem em seu espírito; a idéia é o elemento dominante; todos os elementos da cena podem ser exagerados ou distorcidos para reforçar a idéia; dá forma a associações subjetivas; é do artista para o mundo exterior; expressão de desordem espiritual; estado de desespero; tudo em situação caótica.

Vsevolod Meyerhold  foi o grande teórico e prático do expressionismo. Foi aluno e trabalhou com Stanislavski no Teatro de Arte de Moscou. Opôs-se ao realismo e ao tentar uma nova forma de fazer teatro esbarrou na falta de preparo de seus atores. Elaborou então um treinamento para o ator que ele chamou de biomecanismo. Afirmava que o ator deve ser treinado por meio de exercícios físicos para ter agilidade, força, uma perfeita expressão corporal junto com uma técnica perfeita de representação.

Johan Strindberg (1849 - 1912) é considerado o precursor do expressionismo, nascido na Irlanda.  Grande influencia sobre os expressionistas com sua peça "O sonho", onde destruía limitações tempo, espaço e lógica convencional para adotar o ponto de vista de quem está dentro de um sonho.

Reações Anti-realistas - Teatro Irreal e Fantástico

Iniciado na França o movimento, o surrealismo foi um dos movimentos mais importantes na reação aos exageros do teatro realista. As primeiras reações vieram da Itália com Chiarelli (1877 - 1949), com a peça "A Máscara e o Vulto".

Luigi Pirandello com se pessimismo extremo criava personagens com dificuldade de estabelecer um sentido psicológico para a realidade do mundo e a impossibilidade de reconhecer a pessoa e a verdade.

Características gerais do Teatro Surrealista: eliminação de bases psicológicas; eliminação de enredo; deformação fantástica; a procura do "antiteatro" e a falta de coerência e homogeneidade.

Os grandes teóricos anti-realistas foram Cocteau e Antonin Artaud que criou o chamado "Teatro da Crueldade" e não conseguiu, em vida, realizar suas idéias revolucionárias.

Samuel Beckett se caracterizou pela falta de sentido geral de seu diálogo.

Eugene Ionesco, criador do Teatro do Absurdo, o antiteatro com farsas e sátiras sem ideal, com falta de sentido dramático.

Alfred Jarry (1873 – 1907) Usou a comédia grotesca, adotando um gênero farsesco e sem compromisso com a realidade.

Teatro Épico

A dramaturgia de Bertolt Brecht (Dramaturgo, romancista, roteirista e poeta alemão, revolucionou o idioma alemão e o teatro moderno, transformando o drama antes subjugado pela influência de Goethe)  é oposta ao surrealismo e ao Teatro Realista convencional, é um Teatro Épico, político e ligado ao socialismo com características Anti-aristotélicas.

Épico é tudo aquilo que diz respeito à Epopéia: relato poético de aventuras grandiosas de um ou vários heróis, inspiradas na história, na imaginação ou em mitos e lendas.

O Épico de Brecht com intenções políticas trata de um herói surrado e batido, que deve ser analisado com lógica e bom senso, com distanciamento das emoções e, se necessário, contestado e criticado pelo espectador.

Brecht resumiu da seguinte forma as diferenças básicas encontradas no seu Teatro Épico em relação ao drama tradicional:

 Forma dramática do teatro

 Forma épica do teatro

 Ativa

 Narrativa

 Envolve o público numa ação cênica

 Não envolve / Público como observador

 Exaure-lhe a atividade na catarse

 Estimula o público à ação

 Permite-lhe sentimentos

 Arranca-lhe decisões

 Proporciona emoções

 Proporciona noções

 O público é admitido numa ação

 O público é colocado em frente a uma ação

 O público é submetido a sugestões

 O público é submetido a argumentos

 As sensações são respeitadas

 Sensações impelidas até a plena consciência

 Pressupõe o homem um ser conhecido

 O homem como objeto de indagações

 O homem é imutável

 O homem é mutável e modificador

 Tensão relativamente ao êxito

 Tensão relativamente ao andamento

 Uma cena serve a outra

 Cada cena tem vida própria

 Progressão

 Montagem

 Curso linear dos acontecimentos

 Não linear / Por curvas

 Evolução obrigada

 Evolução por saltos

 O homem como dado fixo

 O homem como processo em andamento

 O pensamento determina a existência

 A existência social determina o pensamento

 Sentimento

 Razão