Comédia

Comédia é um drama jocoso e satírico.

No surgimento do teatro, na Grécia, a arte era representada, por duas máscaras: a máscara da tragédia e a máscara da comédia. Aristóteles, em sua "Arte Poética", para diferenciá-las, diz que enquanto a tragédia trata de "homens superiores" (heróis), a comédia fala sobre os "homens inferiores" (pessoas comuns da "pólis"). O que pode ser comprovado pela divisão dos júris que analisavam espetáculos durante os antigos festivais de teatro gregos. Ser escolhido como jurado de tragédia era a comprovação de nobreza e de representatividade na sociedade. Já o júri da comédia era formado por cinco pessoas sorteadas da platéia.

A importância da comédia era a possibilidade democrática de sátira a todo tipo de idéia. Ninguém estava a salvo de ser alvo de críticas da comédia, governantes, nobres e nem mesmo os Deuses (como em "As Rãs" de Aristófanes).

Atualmente, não há grande distinção entre a importância artística da tragédia (conhecida também como "drama") e da comédia. Mas é de conhecimento geral que para fazer rir é necessário um ritmo ("timing") especial que não é dominado por todos.

É o gênero de teatro recitado em oposição ao teatro cantado em prosa ou em verso, caracteriza-se pela leveza do tema, quase sempre alegre e com final feliz, cuja finalidade principal é excitar o riso do espectador, seja pelo choque de situações entre os personagens, seja pela crítica de costumes, ou ainda pela representação dos defeitos do homem.

Uma das principais características da comédia é o engano. Frequentemente, o cômico está baseado no fato de um personagem ser enganado ao longo de toda a peça.  

A comédia grega é originária do Canto do "Kosmos" que eram cânticos rituais nas procissões em honra do Deus Dionísio, em que pessoas dançavam e cantavam pelos campos, embriagados pelo vinho, usando gestos obscenos e mímicas burlescas.

Na antiga comédia grega (458 a 404 a.C.) destaca-se Aristófanes, que além de grande comediógrafo foi um lutador pela causa da paz. Foi o criador da chamada comédia antiga que se trata de um gênero composto de paródia mitológica, sátiras políticas e pesadas críticas pessoais. Sua peça "A Paz" escrita no auge da Guerra do Peloponeso, uma luta fratricida que envolvia todos os povos da Grécia, mostra a sua preocupação com a concórdia entre os homens.

Aristófanes utilizava os quatro elementos do "Kosmos":
- Entrada do cortejo dionisíaco (párodo);
- Sequência de peripécias, da luta de palavrões primitiva (agon);
- Coro interpela e repreende o público (parábase);
- A saída geral, barulhenta e excitada (êxodo).

A comédia nova (340 a 260 a.C.) voltou-se para a vida privada, para a intimidade dos cidadãos, para o amor, os prazeres da vida e as intrigas sentimentais.

Só em 1958 foi descoberta a primeira peça completa da Comédia Nova: "O Misantropo" de Menandro, quem fazia análise de costumes e suas peças refletiam a época em que o teatro abandonou os mitos e os temas políticos.

Dos autores Filemon, Dífilos e Apolodoro só sobreviveram as versões latinas de Plauto e Terêncio, que foram imitadas em todos os teatros modernos.

Comédia em Roma

A comédia romana teve características originais. Plauto tinha grande veia poética aliada à sua força cômica de grande farsista. Imitava a comédia nova do teatro grego. Fundia várias peças gregas e enxertava cenas de uma peça na outra.

Terêncio fazia representações para as classes mais abastadas e seu teatro era menos farsesco e com um tom um pouco mais sério.

Plauto e Terêncio criaram muitos tipos populares que depois foram espalhados por todo o mundo através da Comédia Dell'Arte. Seus tipos: o fanfarrão, o avarento, o criado astuto, do filho de família devasso, o parasita etc., servem de inspiração até hoje a todos os que trabalham com a comédia, inclusive no cinema e na televisão. Por exemplo: "A Comédia dos Erros" de Shakespeare foi inspirada em "Os Menecmos" e Moliére inspirou-se em "Anfitrião".

Entre os textos cômicos Romanos, destacam-se: "O Cabo", "Caruncho", "Os Menecmos", "Os Prisioneiros", "O Soldado Fanfarrão", "Aululária", "Anfitrião" e "Trinumo" de Plauto e "O Punidor de Si Mesmo" de Terêncio.

Commedia Dell'Arte

Uma forma de teatro popular improvisado, datado do séc. XV na Itália e desenvolvido posteriormente na França mantendo-se popular até o séc. XVIII. Alguns atores se reuniram e resolveram tomar conta da cena, sem depender dos autores, como uma reação ao teatro literário que já não chamava a atenção do público.

A Commédia Dell’arte retomou a pantomima, o ridículo e a vulgaridade que as comédias primitivas gregas apresentavam após as tragédias ainda no Império Romano. A diferença estava nos trajes carnavalescos, nos temas abordados, na alegria e na euforia. Pode ser considerada o ponto de partida das diferentes e posteriores formas de teatro do povo que culminaram no drama Shakespeariano.

As companhias itinerantes realizavam suas apresentações pelas ruas e praças públicas em carroças ou pequenos palcos improvisados. A primeira companhia de que se tem conhecimento é a "I Gelosi" (Os Ciumentos), dos irmãos Andreni. Foi fundada em 1545 por atores de Pádua sendo os primeiros a conseguir viver exclusivamente da sua arte. Angelo Beolco (1502-1542) é considerado um percussor da Commédia Dell’arte por ser autor dos primeiros documentos literários onde as personagens eram tipificados.

Commédia Dell’arte conquistou as classes sociais mais elevadas levando as melhores companhias (Gelosi, Confidenti, Fedeli) da rua para o palácio, permitindo que a arte cruzasse fronteiras viajando por toda a Europa a partir de 1570. Mais tarde, dramaturgos como Ben Jonson, Molière, Maviraux e Gozzi vão inspirar-se nas personagens estereotipadas.

Opõe-se à "Comédia Erudita", sendo chamada de "Commedia All'improviso" e "Commedia a Soggetto". Embora os intérpretes devessem seguir os achados cômicos (lazzi) e respeitar os roteiros básicos (canovacci), havia extrema liberdade de variações. Assim, era válida a idéia de que os diálogos se conjugassem de acordo com a fantasia do momento.

Os personagens eram interpretados por atores versáteis que cantavam, dançavam, representavam, faziam malabarismos e etc., usando máscaras, embora os innamorati (ou enamorados) não as usassem. Os personagens eram fixos, fazendo com que muitos atores tenham vivido exclusivamente um determinado papel por toda a vida.

As apresentações improvisadas tratavam situações convencionais como o adultério, o ciúme, a velhice e o amor. Diálogos e ações poderiam facilmente ser atualizados e ajustados para satirizar escândalos locais, eventos atuais, ou manias regionais, com piadas e bordões.

O comportamento dos personagens formam um padrão: o amoroso, o velho ingênuo, o soldado, o fanfarrão, o pedante, o criado astuto... Briguela, Isabela, Pierrot, Colombina, Arlequim, o Capitão Matamoros e Pantaleone são personagens que esta arte eternizou. Importante na caracterização de cada personagem era o vestuário, e em especial as máscaras.

As máscaras utilizadas deixavam a parte inferior do rosto descoberto, permitindo uma dicção perfeita, facilitava a respiração e proporcionavam o reconhecimento imediato da personagem pelo público.

As personagens são divididas em três categorias: os enamorados ou innamorati (amantes que querem se casar), os velhos ou vecchi (representam os de classe social mais abastada) e os criados ou zannis (de classe social mais baixa).

Entre os zannis o mais popular é, sem dúvida, o empregado trapalhão, ágil e malandro, Arlequim ou Arlecchino. Pode ser facilmente reconhecido pela roupa com estampa em forma de diamantes. Sua máscara possui uma testa baixa com uma verruga. Geralmente, é servo de Pantalone, outras de Dottore.

Colombina, também uma zanni, é a contrapartida feminina de Arlequim. Usualmente retratada como inteligente e habilidosa. Uma das personagens mais emblemáticas da Commédia Dell’arte, cuja mãe e pai são desconhecidos.

Pierrot, Pedro ou Pedrolino é o servo fiel. Ele é forte, confiável, honesto e devotado. Usa roupas brancas folgadas e um lenço no pescoço.

Briguela é o empregado correto e fiel, porém cínico e astuto. Retratado como agressivo, dissimulado e egoísta.

Pantaleone ou Pantaleão, um velho fidalgo, avarento e eternamente enganado. Possui um cavanhaque branco e um manto negro sobre o casaco vermelho característicos.

Capitano ou Capitão é um covarde que conta suas proezas de amor e batalhas acabando sempre por ser desmentido. Capa e espada são adereços obrigatórios.

Dottore é o mais velho e rico dos vecchi e transmite a falsa impressão de homem intelectual. Geralmente é interpretado como pedante, avarento e sem sucesso com mulheres. Usa uma toga preta com gola branca, capuz preto apertado sob um chapéu preto com as abas largas viradas para cima.

O innamorato e a innamorata têm muitos nomes. Isabella é o nome mais popular da innamorata. São jovens, virtuosos e perdidamente apaixonados um pelo outro. Possuem as roupas mais belas e não utilizam máscara.

Pulcinella, também conhecido como Punch. É o esquisito, inspirador de pena, vulnerável e geralmente desfigurado. Muitas vezes, com uma corcunda e um nariz grande e curvo.

Scaramuccia ou Scaramouche é um pilantra, um bufão, retratado como contador de mentiras covarde.  Usa máscara, roupas e chapéu de veludo negro.

Polichinelo é um bufão. Ridículo, sem traquejo e ingênuo.

Capitão Crocodilo, um oficial, comandante da companhia, do esquadrão. O chefe da tropa.

Francatripa (franco+tripa) é um boneco movido por cordas de tripa e arames; fantoche.